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research

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architexts ISSN 1809-6298

abstracts

português
O artigo discute o papel que a publicação e o design de livros adquiriram para escritórios internacionais de arquitetura desde os anos noventa, centrando-se na emergência e proliferação de um perfil peculiar de livro, aqui nomeado “monofesto”.

english
This paper discusses the role of book design and publishing for internationally acclaimed architecture offices since the nineties, focusing the emergence and proliferation of a peculiar type of book, here named “monofesto”.

español
El artículo discute el papel que la publicación y diseño de libros han adquirido para talleres internacionales de arquitectura desde los años noventa, centrándose en la emergencia y proliferación de un perfil peculiar de libro, aquí llamado "monofesto".


how to quote

SOUZA, Gabriel Girnos Elias de. A monografia como manifesto, ou o lugar estratégico do livro impresso na arquitetura contemporânea. Arquitextos, São Paulo, ano 21, n. 244.01, Vitruvius, set. 2020 <https://7.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/21.244/7875>.

Elizabeth Diller e Ricardo Scofidio, Flesh: Architectural Probes; Bernard Tschumi, Event-Cities: Praxis, FARMAX; UNStudio, Move — Imagination, Techniques, Effects, Nigel Coates, Guide to Ecstacity, e Yes is More
Imagem divulgação/ fotomontagem Gabriel Girnos Elias de Souza, 2016 [Princeton Architectural Press, 1994 / MIT Press, 1994 / 010 Publishers, 1998 / Goose Press]

Arquitetura: paradoxo midiático e biblioespaço

Mais que objetos técnicos, os produtos de arquitetura são também artefatos culturais: frutos de uma inteligência que se expressa não só na resolução de necessidades práticas, mas na orquestração consciente e deliberada de significado, de experiência sensível e de diálogo com uma tradição. O reconhecimento e constituição desses produtos como artefatos culturais, porém, guarda uma inevitável relação com sua presença em outros meios de comunicação. Embora a arquitetura seja guiada pela crença na natureza do real e do físico, ela é paradoxalmente discutida, explicada e definida quase completamente por meio de suas representações; o que compreendemos por arquitetura, portanto, é menos um conjunto de edificações do que um constructo de mídias (1).

Arquitetos e escritórios de arquitetura não produzem edificações, mas ideias expressas e registradas em documentos. As representações documentais são a primeira (e por vezes a única) manifestação concreta da atividade projetual. Entre os produtos físicos dessa práxis, o edifício concreto é em geral o que menos pertence ao arquiteto: além de serem desviados de suas proposições originais com frequência, espaços construídos são objetos e situações complexos, em geral vivenciados distraidamente por seus usuários. Grande parte do que há de propriamente arquitetônico nos edifícios — as intenções, invenções e soluções dos arquitetos — está longe de ser evidente ou autoexplicativo para o público. Assim sendo, a comunicação da arquitetura através de documentos é uma necessidade fundamental não apenas para a concretização dos projetos, mas para contornar o silêncio dos edifícios. Painéis, artigos, livros e vídeos estruturam narrativas e explicitam relações, personagens e intenções, guiando a percepção do expectador e influenciando de maneira fundamental a construção da legitimidade da arquitetura enquanto atividade criativa e profissão liberal.

Estando profundamente vinculadas a seus documentos em diversos aspectos, a disciplina e a cultura arquitetônicas têm sido constantemente afetadas pelo desenvolvimento técnico e criativo das possibilidades de mediação documental. Adventos tecnológicos como a imprensa, a fotografia, a fotocópia ou a informatização afetaram historicamente tanto a prática profissional quanto a circulação cultural da arquitetura. Entretanto, mesmo em meio às enormes transformações culturais e técnicas recentes das mídias eletrônicas na era da informação, é curioso notar que o livro impresso ainda tem se mantido como uma mídia particularmente dotada de peso simbólico e poder de legitimação para a profissão dos arquitetos.

Há uma longeva e estreita relação histórica entre livro e arquitetura: o códice impresso, afinal, foi fundamental para a emergência da arquitetura como disciplina e profissão projetuais. A constituição de um corpo disciplinar e intelectual de projeto desvinculado da prática empírica da construção só foi possível a partir da ampla reprodução e circulação documental propiciada pela invenção da imprensa de tipos móveis no século 15. A arquitetura ocidental da era moderna, portanto, surgiu imbricada ao que Mario Carpo chamou de “biblioespaço”: um “espaço virtual tipográfico” (2) em que se integram textos fundacionais e arquétipos visuais, circulando indiferentes à localização geográfica de seus leitores ou das obras representadas, possibilitando a consolidação e disseminação de escolas, doutrinas, estilos e movimentos. Ao equiparar o construído e o não construído como patrimônio disciplinar — afinal, as representações gráficas de ambos convivem harmonicamente nas páginas impressas — o biblioespaço permitiu a constituição de um imaginário visual e projetual autônomo ao real, no qual o visionário, o utópico e até o fantasioso ganhavam espaço.

Por outro lado, o biblioespaço propiciou a ascensão individual de arquitetos à notoriedade. Não por acaso, desde a renascença não é raro que os expoentes mais célebres da profissão estejam entre os mais prolíficos produtores de livros; de Andrea Palladio a Le Corbusier até Rem Koolhaas, vários arquitetos fizeram da página impressa um campo paralelo de produção arquitetônica, a partir do qual procuraram intervir e influenciar as condições disciplinares e culturais nas quais poderiam atuar. Alan Powers indica certos caracteres persistentes do comportamento editorial dos arquitetos de livros através dos séculos: o envolvimento editorial direto, inclusive financeiro; a exploração do potencial estético das imagens e do volume impresso em si; o uso das próprias obras como casos e exemplos de discussões teóricas mais amplas; a justaposição (por vezes indistinta) de obras construídas com propostas não-realizadas; e o recurso eventual à edição retrospectiva da própria obra para melhor servir aos objetivos retóricos do autor (3).

A despeito das recorrências acima apontadas, o presente texto é motivado pela percepção de certa especificidade histórica da contemporaneidade no tocante à relação entre livro e arquitetura. Desde os anos noventa do século 20, o biblioespaço de arquitetura tem exibido características muito singulares, tanto do ponto de vista da fruição e configuração do objeto livro quanto do uso estratégico deste como forma de promoção por parte de arquitetos. Este artigo, por sua vez, tem o objetivo de contribuir para a caracterização da condição cultural e estética do livro impresso no circuito disciplinar internacional da arquitetura contemporânea. Recortando as décadas da virada do milênio como campo de análise, será esboçado e discutido a seguir um panorama parcial do investimento em livros feito por expoentes da arquitetura com influência e atuação internacional. Nesse panorama, será dada atenção especial à emergência e influência de um perfil peculiar de livro, aqui considerado o mais influente e significativo da época: um híbrido de monografia, tratado e manifesto, que será aqui apelidado de monofesto.

Livros de arquiteto na virada do milênio: a ascensão do monofesto

Uma procura atenta em livrarias ou catálogos de editoras mais dedicadas à arquitetura revela um panorama muito prolífico e variado de livros produzidos por grandes escritórios internacionais desde o início dos anos noventa do século 20. Alguns expoentes mais antigos do estrelato arquitetônico — como Norman Foster, Thom Mayne e Steven Holl — têm escrito e produzido compêndios monográficos de suas obras (i.e. “monografias”) com certa regularidade, além de livros dedicados a projetos únicos de grande repercussão. Tais expoentes também colaboraram diretamente com pesquisadores e instituições na geração de estudos monográficos sobre sua obra e carreira. Em meio aos catálogos editoriais pode-se ver também uma notável oferta de livros teóricos e/ou ensaísticos de arquitetos, dentre os quais se destacam expoentes estelares e já consagrados como Peter Eisenman, Bernard Tschumi, Greg Lynn e outros arquitetos que têm estabelecido uma produção editorial paralela à prática projetual. Alguns estúdios — como os holandeses do Office for Metropolitan Architecture – OMA e MVRDV — se destacam nessa paisagem editorial por funcionarem como verdadeiras fábricas bibliográficas, com uma produção própria de livros profícua a ponto de constituir um eixo de trabalho regular e independente da prática do projeto e da construção. Por fim, ao se observar o perfil editorial precoce de arquitetos mais novos como Jeanne Gang, Bjarke Ingels e Sou Fujimoto, pode-se constatar também que o investimento em livros vem deixando de ser uma característica de escritórios já consagrados e de vasta obra construídas, para se tornar cada vez mais um esforço prospectivo de escritórios jovens.

A proliferação recente de empreendimentos editoriais foi acompanhada pelo envolvimento progressivo de vários escritórios na produção de livros de pesquisa, muitas vezes feitos em parcerias com instituições de ensino, organizações não governamentais – ONGs, empresas ou agências estatais. Publicações como The Harvard Design School Guide to Shopping (Rem Koolhaas/OMA, 2002), Costa Iberica (MVRDV, 2005), Reverse Effect (Studio Gang, 2011), e 49 Cities (WORKac, 2009) exibem investigações analíticas e quantitativas sobre temas, situações e locais em seus aspectos econômicos, territoriais, demográficos, culturais ou ambientais. Tal investimento indica um considerável esforço desses grupos em buscar, valorizar e consolidar outros campos de atuação intelectual para o arquiteto além do projeto; campos que, ao menos nos exemplos levantados, estão frequentemente imbricados à produção, processamento e visualização de informações sobre o espaço e o território.

Antecedendo e acompanhando esse maior investimento em publicações de pesquisa, deu-se a emergência de um perfil de livro que é aqui considerado um dos principais marcos da virada do milênio: o anteriormente citado monofesto. Embora os exemplos de livro enquadráveis nesse perfil formem um conjunto muito heterogêneo, há recorrências que permitem identificar uma vertente comum. Em primeiro lugar, são geralmente monografias que se declaram enfaticamente como mais do que só que uma monografia, entrelaçando deliberadamente aspectos de tratado e de manifesto à função de portfólio. Esse caráter híbrido tem sido por vezes ressaltado pela sobreposição e até entrelaçamento de diferentes categorias de discurso e obra — incluindo pesquisas, ensaios, narrativas (escritas ou gráficas) e outras variedades de trabalho junto aos projetos arquitetônicos e urbanísticos. Buscando se mostrar como livros extraordinários, monofestos frequentemente adotaram títulos e capas crípticos e/ou provocativos, por vezes configurando-se como livros-objeto de design pouco ortodoxo, com linguagem gráfica investida de efeitos expressivos que acabam por enfatizar a experiência da leitura, do objeto e da informação.

“Estes não são os livros-portfólio de papel brilhante que arquitetos normalmente produzem. São livros de artista que definem um enorme espaço conceitual, engendrando uma performance entre texto e imagem e jogando com a palavra “in-formação”. [...] Oferecendo uma apresentação visual estratificada do pensamento arquitetônico, formações conceituais e mapas organizacionais, esses livros indicam que arquitetos se tornaram novos coletores de informação, analistas diagramáticos e cartógrafos, além de estarem mais atentos para modelos matemáticos e superfícies topológicas” (4).

“Esses livros mimetizam o efeito de uma experiência multidirecional. O processo unidimensional de ler linhas torna-se o exame bidimensional da superfície das imagens, e uma exploração tridimensional das camadas de material. Essas dimensões estabelecem um processo temporal complexo: o tempo de desdobramento de um ponto a outro em uma linha, o tempo de varredura pela superfície total e o tempo de movimentação livre e interativa em profundidade” (5).

Dialogando textual e infograficamente com considerações sobre cultura, cidade, economia e tecnologia, vários monofestos têm exibido a arquitetura como parte indissociável de uma realidade complexa e transdisciplinar. Nesse processo, também se esforçaram em circunscrever um lugar para a profissão de arquiteto em meio a essa mesma realidade — e, principalmente, para a abordagem praticada por seus respectivos autores. Em meio a essa pluralidade, a preponderância do design nesses livros cumpre a função de amalgamar os elementos heterogêneos nele contidos, sintetizando e expressando uma atitude profissional que os autores desejam comunicar.

Bernard Tschumi, Event-Cities: Praxis
Imagem divulgação/ fotomontagem Gabriel Girnos Elias de Souza, 2014 [MIT Press, 1994]

Rem Koolhaas/OMA, S,M,L,XL — Small, Medium, Large, Extra-Large. Design Bruce Mau/ fotos Hans Werlemann
Imagem divulgação/ fotomontagem Gabriel Girnos Elias de Souza, 2014 [The Monacelli Press, 1995]

MVRDV, FARMAX: Excursions in Density. Design Roelof Mulder e Annemarie van Pruyssen
Imagem divulgação/ fotomontagem Gabriel Girnos Elias de Souza, 2014 [010 Publishers, 1998]

Nigel Coates, Guide to Ecstacity. Design Why Not Studio
Imagem divulgação/ fotomontagem Gabriel Girnos Elias de Souza, 2014 [Laurence King Publishing, 2003]

Para visualizar um panorama da proliferação de monofestos e de seu lugar na atuação de escritórios contemporâneos, foi realizado um levantamento de exemplos circunscritos ao período entre 1993 e 2012. Para os fins desse recorte, foram considerados monofestos os livros monográficos que exibissem ao menos cinco destas características:

  • Ser completa ou parcialmente escrito pelos arquitetos que visa apresentar;
  • Ser projetado pelos arquitetos que visa apresentar ou dar destaque e/ou crédito de coautoria aos designers que o projetaram;
  • Ter uma linguagem gráfica heterodoxa, exuberante ou performativa;
  • Declarar-se ou ser apresentado em algum momento como um “manifesto";
  • Misturar gêneros de discurso e linguagem distintos (p. ex.: o manifesto, análise cultural, narrativa de viagem, diário pessoal, pesquisa de dados, romance, história em quadrinhos etc.);
  • Conter ensaios ou reflexões mais ambiciosas sobre a profissão da arquitetura e/ou sobre a sociedade, cultura e cidade atuais;
  • Possuir títulos e capas surpreendentes, provocativos ou obscuros, que não deixem transparecer facilmente ao leitor que este está diante de um livro de arquitetura.

Visando apenas uma amostra minimamente significativa e manejável, optou-se por limitar o levantamento às produções de vinte e quatro expoentes, todos de atuação marcadamente internacional. Estes grupos, por sua vez, foram selecionados em uma divisão geracional tripartite:

  • Em primeiro lugar, oito escritórios formados antes dos anos oitenta— Foster & Partners, Peter Eisenman, Steven Holl, Eric Owen Moss, Morphosis (todos dos EUA)— ou que possuíam ao menos participação ativa no debate da cultura arquitetônica dos anos 1970 e 1980 — como Elizabeth Diller e Ricardo Scofidio (EUA), Bernard Tschumi (França) e Rem Koolhaas/OMA (Holanda);
  • Em segundo, oito exemplos da geração que iniciou sua atuação entre meados dos anos oitenta e o início dos anos noventa: Nigel Coates (Inglaterra), Greg Lynn (EUA), Asymptote (EUA), UNStudio (Holanda), NOX (Holanda), MVRDV Holanda), Soriano y Asociados (Espanha), e ArchitectureProject (Malta e outros);
  • Em terceiro, oito grupos formados a partir da segunda metade dos anos noventa — SHoP (EUA), Studio Gang (EUA), MAD Architects (China), BIG – Bjarke Ingels Group (Dinamarca), JDS Architects (Bélgica), Sou Fujimoto (Japão), Eike Becker Architekten (Alemanha) e P-A-T-T-E-R-N-S (EUA) — os quais já teriam iniciado suas carreiras tendo os monofestos da “primeira geração” como referência.

Perfil de produção bibliográfica de 24 estúdios de arquitetura selecionados
Elaboração Gabriel Girnos Elias de Souza, 2014

Gráfico comparativo dos monofestos produzidos pelos 24 escritórios selecionados, dispostos a partir de sua data de lançamento e quantidade de páginas.
Elaboração Gabriel Girnos Elias de Souza, 2014

Como pode ser visto no primeiro gráfico, pelo menos metade dos expoentes recortados envolveu-se na produção de livros de teoria ou pesquisa, e metade também possui outras monografias mais tradicionais de suas obras. Contudo, a maior parte dos escritórios pesquisados teve num monofesto sua primeira compilação auto-organizada de obras. Isso é especialmente válido para os grupos mais recentes — e, nesse aspecto, UNStudio, MVRDV, MAD, BIG e JDS se destacam particularmente por terem produzido seus primeiros monofestos ainda nos cinco anos iniciais de existência de suas firmas. Dados como esses apoiam a percepção de que a publicação desses livros se firmou não como uma visão retrospectiva, mas sobretudo como aposta prospectiva.

O volume invulgarmente extenso tem sido um dado frequentemente relacionado aos monofestos, e por isso está destacado no segundo gráfico. Obviamente, a configuração e volume dos livros sempre estará ligada à especificidade de cada caso; ainda assim, é significativo que escritórios mais antigos que já possuíam outros compêndios de projetos — e, portanto, tinham menos pressão para exibir mais sua própria obra — tenderam a lançar monofestos menores (como Eisenman e Foster) ou mais tardiamente (como Morphosis). Em contraste, alguns escritórios que tiveram nos monofestos sua primeira autoapresentação procuraram exibir mais páginas, talvez num esforço de inflar suas publicações para aparentar uma produção mais robusta e relevante.

Deve-se ressaltar também que vários desses monofestos foram acompanhados de esforços de promoção mais amplos e coordenados. Event Cities: práxis, por exemplo, foi uma versão estendida do catálogo da exposição de Bernard Tschumi, na Universidade de Columbia em 1993; seu lançamento, por sua vez, foi programado para coincidir com a mostra do arquiteto no Museu de Arte moderna de Nova York em abril de 1994 (6). O primeiro monofesto de Rem Koolhaas e OMA — S,M,L,XL (Small, Medium, Large, Extra-Large) — foi largamente anunciado na exposição sobre o escritório feita no MoMA na virada de 1994 para 1995 (7) (parte da mesma série expositiva da qual Tschumi participara, Thresholds); e seu segundo monofesto, Content, foi lançado junto com a exposição retrospectiva do grupo na Neue Nationalgalerie de Berlin, em 2003. Já Yes is More: an archicomic on architectural evolution, monofesto em forma de história quadrinhos de BIG, foi simultaneamente livro e exposição: o volume impresso foi catálogo da mostra homônima no Centro Dinamarquês de Arquitetura em 2009; a mostra, por sua vez, foi organizada como uma espacialização do livro, dispondo reproduções ampliadas de suas páginas em sequência linear contínua.

Bjarke Ingels Group, Yes is More: an archicomic on architectural Evolution
Imagem divulgação/ fotomontagem Gabriel Girnos Elias de Souza, 2019 [Evergreen, 2010]

Cabe destacar ainda certas linhas de influência identificadas na amostra investigada. A primeira influência de destaque é a britânica Architectural Association School of Architecture – AA: renomada instituição world class de ensino que, ao menos desde os anos sessenta, tem sido marcadamente engajada com o circuito midiático da arquitetura e gerado expoentes famosos da profissão. Dentre os produtores de monofestos listados nesta pesquisa, cinco dos mais prolíficos estudaram na AA: Steven Holl, Bernard Tschumi, Rem Koolhaas, Nigel Coates e Ben van Berkel (UNStudio). Descendendo diretamente da linhagem midiática da AA está a outra fonte singular de influência editorial a ser destacada: Rem Koolhaas e OMA. Fundadores de outros cinco estúdios aqui listados (MVRDV, Studio Gang, MAD, BIG e JDS) trabalharam para OMA antes de montarem seus respectivos grupos; não por acaso, a maioria destes consta entre os expoentes com investimento mais precoce em publicações.

De fato, a influência de Koolhaas permanece a mais reconhecida no campo das publicações, com o monumental S,M,L,XL sendo caso mais citado e imitado entre os monofestos dos anos noventa. Pode-se ver no gráfico que outros livros enquadráveis na descrição de “monofesto” o precederam; já em 1994, por exemplo, Flesh (Diller e Scoffidio), Mobile Forces (UNStudio) e Event Cities (Tschumi) exibiam uma criativa sobreposição de teoria e práxis e claro uso da linguagem gráfica do livro como ferramenta expressiva. Ainda assim, o impacto de S,M,L,XL e a atenção crítica a ele dispensada permanecem inigualados entre os livros contemporâneos de arquitetura (8).

Se preponderância desse livro certamente se relaciona à potência retórica e teórica do texto de Rem Koolhaas, ela também é inseparável do impacto estético que o designer canadense Bruce Mau e seu escritório o ajudaram a alcançar. De um ponto de vista estritamente formal, o monofesto de OMA já de saída se destaca no panorama aqui levantado: seja pela radicalidade de sua presença física (1380 páginas e 3 kg); pela diversidade de estilos de discurso e de estratégias verbo-visuais de apresentação de projeto; pelo irônico e desconcertante hibridismo iconográfico, que transita rapidamente do sublime ao escatológico e do erudito ao banal; ou pela pioneira ênfase no livro como um projeto em si, explicitada já no ato invulgar de creditar o designer como coautor.

Rem Koolhaas/OMA, S,M,L,XL, capa e contracapa da primeira edição. Design Bruce Mau/ fotografia Hans Werlemann
Imagem divulgação/ fotomontagem Gabriel Girnos Elias de Souza, 2014 [The Monacelli Press, 1995]

Rem Koolhaas/OMA, S,M,L,XL. Design Bruce Mau/ fotografia Hans Werlemann
Imagem divulgação/ fotomontagem Gabriel Girnos Elias de Souza, 2014 [The Monacelli Press, 1995]

Embora o grau de influência efetivo seja difícil de aferir, é fácil notar que o biblioespaço arquitetônico pós-S,M,L,XL exibe vários livros com aspectos semelhantes, especialmente no tocante ao hibridismo e ao volume físico massivo. Em sua contracapa, S,M,L,XL é descrito como “um romance sobre arquitetura” e “uma queda livre no espaço da imaginação tipográfica”, que combina “ensaios, manifestos, diários, contos de fadas, relatos de viagem, um ciclo de meditações sobre a cidade contemporânea” (9). Ecos dessa caracterização podem ser percebidos nas descrições publicitárias de diversos monofestos posteriores em lojas e casas editoriais:

  • “uma narrativa arquitetônica composta por estudos e projetos” (FARMAX, de MVRDV);
  • “monografia, manifesto, registro de viagem, história, autobiografia [...] um palimpsesto do real e do hipotético” (Guide to Ecstacity, de Nigel Coates);
  • “meio-caminho entre palestra de arquitetura, história em quadrinhos e storyboard (Soriano & Palacios: Es pequeño, llueve dentro y hay hormigas, de Federico Soriano);
  • “parte tratado, parte manifesto e parte, como Holl escreve, ‘notas lineares’ de quinze projetos recentes [...] projetado por Michael Rock, da premiada agência de design 2x4” (Parallax, de Steven Holl);
  • “menos uma monografia do que um manifesto de cultura popular” (Yes is More, de BIG) (10).

Aparte a questão de haver ou não influência decisiva de Koolhaas e S,M,L,XL, essa pequena amostra traz indícios do quanto o hibridismo pós-moderno de gêneros de discurso se tornou uma referência editorial particularmente popular; mas também exemplifica a recorrência à ideia de manifesto como expediente na busca por se oferecer “mais” que um simples catálogo de obras. Além de ser retoricamente útil pela conexão simbólica à ideia de vanguardismo, a insistência na figura do manifesto é coerente com o maior valor prospectivo adquirido pelos livros de arquiteto. Como Beatriz Colomina enfatizou, os manifestos das vanguardas modernistas do início do século 20 foram performativos: mais do que a difusão de algo já existente, sua publicação com frequência foi em si mesma um ato fundante de seus respectivos movimentos (11). Da maneira análoga, pode-se dizer que os monofestos não têm se destinado apenas a dar visibilidade a algo já existente, mas sim a criar aquilo mesmo que, em tese, estão difundindo. Trata-se, portanto, de reinventar ou reposicionar os próprios escritórios e seu ethos profissional.

O lugar estratégico do livro

Conforme mencionado ao início do texto, há precedentes históricos de longa data para o emprego expressivo da mídia livro por arquitetos para promover e reposicionar sua própria obra e para discutir a disciplina arquitetônica. A recorrência desse emprego, por sua vez, imbrica-se ao perene paradoxo midiático da arquitetura — sua natureza documental, sua inerente dimensão ficcional, sua necessidade de legitimação e o imperativo de contornar o relativo silêncio do objeto edificado. Isso considerado, antes de encerrar estas reflexões convém discutir brevemente a especificidade do contexto histórico que acarretou o panorama bibliográfico acima descrito.

Em primeiro lugar, é preciso ter em conta que a expansão bibliográfica recente se relacionou a transformações de demanda. A globalização, financeirização e midiatização aceleradas da sociedade foram acompanhadas desde os anos oitenta por uma nova popularidade da arquitetura, do design e da moda como entretenimento e marcadores de identidade e estilo de vida para consumo (12). Não por acaso, isso correspondeu justamente ao estabelecimento de uma indústria cultural arquitetônica e de um star system internacional da profissão. Esse mesmo status ocasional de celebridade fortaleceu e ampliou a demanda e a produção cultural e bibliográfica de arquitetura e sobre a arquitetura, tanto para arquitetos quanto para um público mais amplo.

Para além da demanda maior e mais diversificada, a transformação estética notada no panorama de monofestos converteu-se ela mesma numa demanda e numa expectativa. Há diversos fatores que podem ser examinados a esse respeito (13); dentro dos estreitos limites deste artigo, destaquemos apenas a influência da paisagem semiótica específica da virada do milênio — dominada primeiro pela televisão e por computadores e, logo depois, pela internet — na fruição e no design dos livros impressos. A presença marcante da interconexão, interatividade e visualidade peculiares às hipermídias eletrônicas certamente não pôs fim ao códice, mas afetou a maneira de frui-lo e projetá-lo como mídia e artefato físico. Jay D. Bolter e Richard Gruisin apontam que na atual “Era Tardia da imprensa” (iniciada nas últimas décadas do século 20) a produção de livros impressos teria passado por fenômenos de “remidiatização” (remediation) – quando opera-se uma readequação do uso e da forma de uma mídia para se incorporar ou mimetizar características de outras mídias — e de “hipermidiação” (hipermediation) — quando o design de uma mídia procura salientar a seu usuário a condição material e midiática específica desta, e fazer disso um foco de fruição estética (14). De fato, embora tenha sido tantas vezes discutida em termos de desmaterialização, a dita Era da informação testemunhou um renovado interesse na materialidade do livro impresso, e uma profusão de experimentos com seu design.

É indispensável considerar o lugar estratégico do livro de arquiteto em relação às mudanças na cultura empresarial recente. Como em diversas outras profissões liberais, a arquitetura sofreu progressiva penetração das lógicas de marketing e branding, com uma crescente adoção de estratégias de gestão de marca. Segundo Arie Graafland, o fim dos anos 1990 viu a emergência de um perfil de escritório de arquitetura mais assemelhado a “empresas de consultoria”, enfatizando a combinação entre tecnologia computadorizada, “inteligência de projeto” e uma “abordagem sofisticada de marketing, relações públicas e demais aspectos do negócio arquitetônico” (15). Mais e mais estúdios passaram a investir em atividades de pesquisa e desenvolvimento (research & development), bem como em parcerias estratégicas com universidades e instituições de cultura, tirando proveito do contato direto com estudantes e das conexões e prestígio que tais entidades propiciam. Graafland também sugeriu, contudo, que tais redefinições de perfil profissional também poderiam ser menos uma “inovação econômica e administrativa” do que uma “inovação estética” associada à gestão da identidade e imagem dos escritórios.

A ampliação e diversificação recentes da produção de publicações por parte de estúdios de arquitetura estariam estreitamente relacionadas a essa nova situação profissional, pois o investimento em livros teria se tornado muito importante num contexto competitivo de busca contínua por prestígio, renome e evidência no circuito midiático.

“Os tratados não são mais uma opção, mas uma necessidade do arquiteto. Para os escritórios será difícil, quando não impossível, recuar dessa estetização. As condições nas quais eles trabalham os colocam numa espécie de fluxo simbólico de sistemas de eficiência moldados esteticamente e de criação de capital cultural, intrínsecos à profissão hoje. Enquanto os direitos de propriedade intelectual são a forma mais importante de capital na indústria cultural, na arquitetura o que se vende não é a propriedade intelectual, já que se trata de uma operação singular, e sim o “produto”, o projeto arquitetônico, e especialmente o “nome” que o escritório ou o arquiteto conseguiram fazer através das publicações” (16).

Por fim, no contexto recente da competição entre grandes centros urbanos por atenção, turismo e investimentos, a capacidade de gerar impacto e sinergia publicitários consagrou-se como vetor de legitimação da arquitetura icônica de grande escala e, portanto, como critério de preferência de certos projetos sobre outros. Como uma marca não se constrói só pelo que ela “produz” (neste caso, edifícios), mas a partir da coordenação sinérgica de múltiplos símbolos e meios de divulgação dessa produção, a capacidade de gestão da imagem e do discurso públicos de um projeto passou a ser parte vital do jogo da starchitecture e daqueles que a tomam por modelo. A “arquitetura”, assim, tornou-se mais do que nunca um constructo de mídias, e os arquitetos que aspiram ao renome procuram mostrar sua proficiência em operar tal constructo. Livros assertivos com design arrojado seriam oportunidades para os escritórios exibirem tanto sua inteligência projetual quanto sua capacidade de criar e conferir sinergia a suas próprias marcas.

Todavia, mesmo em face das últimas considerações, é importante ressaltar que livros monográficos de arquitetura são mais que meras ferramentas de autopromoção. Sua produção também pode ser oportunidade para arquitetos se apoderarem discursivamente de sua própria obra, bem como para estabelecerem publicamente sua produção teórica, suas atividades de pesquisa e seus projetos não construídos como parte de seu patrimônio profissional. No limite, a produção de um livro também pode ser oportunidade crucial para arquitetos repensarem sua prática, sua identidade e seu ethos profissional — e aqui novamente o exemplo é S,M,L,XL, cuja longa e trabalhosa realização esteve entrelaçada a uma profunda revisão de conceito e de perfil profissional em OMA (17). Nessa senda, publicações podem servir como instrumento para um estúdio estabelecer uma agenda própria e uma produção um pouco menos dependente de demandas de mercado externas e aleatórias.

Antes de encerrar, cabe apenas levantar uma questão a ser desenvolvida em outra ocasião: porque uma mídia tão antiquada como o códice impresso conseguiu reter sua relevância na cultura disciplinar da arquitetura e, em especial, na economia de construção de prestígio dos arquitetos? Considerando a atual conjuntura de rapidez e conexão das mídias eletrônicas e o renitente interesse do público por novidades, como esse suporte não perdeu interesse e espaço? Considerações como as de Charles Jencks apontam para qualidades singulares da mídia:

“A arquitetura fica parada em um lugar, enquanto seu significado viaja entre as capas de livros. Revistas podem espalhar a palavra mais rapidamente, mas ela é confirmada pelo livro. [...] Em uma economia onde a imagem e a grife dominam a memória de curto prazo, o livro tem um lugar especial. Ele dura, como um monumento. Ele permanece e se torna o marco para a memória de longo prazo — ou seja, para o pensamento ponderado” (18).

A contínua relevância do livro impresso é certamente inseparável da valoração cultural acumulada e herdada de séculos de história. Ainda assim, não é errado afirmar que seu interesse se manteve também porque, diferentemente dos textos e imagens flutuantes das telas eletrônicas, ele compartilha com a arquitetura o mistério e deleite da materialidade, da presença física no mesmo espaço e tempo do corpo do usuário. O códice pode ser amado ou reverenciado tatilmente, como um fetiche ou um objeto querido; e, tal qual uma edificação, ele é dotado de interioridade singular — nele pode-se “entrar”. Se o futuro testemunhar sua eventual derrocada, provavelmente terá presenciado também o fim da particular relação entre ideação e fisicalidade que há séculos temos chamado de arquitetura.

notas

NA – Este texto descende da pesquisa de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O nome “monofesto” foi proposto pela primeira vez em minha tese, e os gráficos e diagramas aqui apresentados podem ser encontrados nela. In SOUZA, Gabriel Girnos Elias de. Ficções Projetuais: projeto gráfico e discurso profissional em livros contemporâneos de escritórios internacionais der arquitetura e urbanismo. Rio de Janeiro, DAD PUC RJ, 2015 <https://doi.org/10.17771/PUCRio.acad.25607>.

1
RATTENBURY, Kester. Introduction. In RATTENBURY, Kester. (Org.). This is Not Architecture: Media Constructions. Londres, Routledge, 2002, p. xxii.

2
CARPO, Mario. Architecture in the Age of Printing: Orality, Writing, Typography, and Printed Images in the History of Architectural Theory. Cambridge, The MIT Press, 2001.

3
POWERS, Alan. The architectural book: image and accident. In RATTENBURY, Kester (Org.). Op. cit., p. 165.

4
BOYER, M. Christine. Playing with information: urbanism in the twenty-first century. In READ, Stephen; ROSEMANN, J.; ELDIJK, J. Van (Orgs.). Future City. New York, Spoon Press, 2005, p. 156-15. Tradução do autor. Boyer se refere aqui às impressões passadas por três “monofestos” holandeses: o seminal S,M,L,XL — Small, Medium, Large, Extra-Large (OMA, 1995), FARMAX: Excursions on Density (MVRDV, 1997) e Move (UNStudio, 1998).

5
BOYER, M.C. e HAUPTMANN, D. The big books and sundry cyber-matters: an Interview with M. Christine Boyer. In BEKKERING, H.; HAUPTMANN, D. (Orgs.). The architecture annual 2004-2005, Delft University of Technology. Rotterdam, 010 Publishers, 2006, p. 108-111. Tradução do autor.

6
Tschumi exhibit opens at the Museum of Modern Art. Columbia University Record, v. 19, n. 26, Nova York, 29 abr. 1994 <http://www.columbia.edu/cu/record/archives/vol19/vol19_iss26/record1926.14>.

7
MELENDEZ, V. Exposiciones y accesorios: herramientas contra el olvido. Cuadernos de Proyectos Arquitectónicos. Madrid, DPA (ETSAM), jun. 2013.

8
Na pesquisa Publishing Practices, Michael Kubo questionou 150 arquitetos e acadêmicos norte-americanos sobre quais seriam os dez livros de arquitetura mais importantes de todos os tempos; S,M,L,XL foi de longe o livro mais citado.  Cf. KUBO, Michael. Architecture’s Print Culture. Journal of Architectural Education, 69:2, out. 2015, p. 207-211 <http://dx.doi.org/10.1080/10464883.2015.1063400>). O periódico Journal of Architectural Education, por sua vez, dedicou uma edição especial à reflexão sobre o legado de S,M,L,XL vinte anos após sua publicação (Cf. https://www.jaeonline.org/issues/smlxl#/page1/).

9
As descrições aqui reproduzidas foram vistas no website da Amazon.com, originalmente em inglês. Tradução do autor.

10
Traduzido para o português pelo autor. Os trechos citados foram retirados da sinopse em inglês fornecida pela Amazon.com, com exceção do livro de Federico Soriano, cuja sinopse foi encontrada em espanhol no website da Editora Actar.

11
COLOMINA, Beatriz. Architectureproduction. In RATTENBURY, Kester (Org.). This is Not Architecture: Media Constructions. Londres, Routledge, 2002, p. 205-221.

12
GADANHO, Pedro. Arquitectura em público. Porto, Dafne Editora, 2010, p. 33.

13
Para uma discussão mais ampla das transformações do design gráfico e editorial “pós-moderno”, ver SOUZA, Gabriel Girnos Elias de. Ficções Projetuais (op. cit.), p.37-57 <https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/25607/25607_3.PDF>.

14
BOLTER Jay David; GRUSIN, Richard. Remediation: Understanding New Media. Cambridge, MIT Press, 2000, p. 12.

15
GRAAFLAND, Arie. Sobre a criticalidade. In SYKES, Krysta (Org.). O campo ampliado da arquitetura: antologia teórica 1993-2009. São Paulo, Cosac Naify, 2013, p. 303.

16
Idem, ibidem, p. 307.

17
KOOLHAAS, Rem. Interview with Rem Koolhaas. In The Critical Landscape. Rotterdam, 010 Publishers, 1996-b. Entrevista concedida a Jasper Haan e Aerie Graafland.

18
JENCKS, Charles. Post-Modernism and the revenge of the book. In RATTENBURY, Kester. (Org.). This is Not Architecture: Media Constructions. Londres, Routledge, 2002, p. 176. Tradução do autor.

sobre o autor

Gabriel Girnos Elias de Souza é arquiteto e urbanista (2002) e mestre (2006) em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo. Doutor em Design (2015) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, leciona na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Publicou Territórios Estéticos (Annablume, 2010).

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